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Textos
TROVAS DA MINHA VIDA
A minha vida em trovas (Primeira parte)
cadê aquele doce menino que tantos castelos fazia? buscando por seu destino vibrando de tanta energia
logo que o dia raiava levantava-se da cama projetos que alimentava até no fim de semana
em tudo que se propunha enfrentava com altruísmo pegava o touro na unha nunca faltou dinamismo
nasci e morei na capital lá no bairro do Ipiranga onde a coroa de Portugal botou o Brasil numa canga
forte o porvir paulistano de quem nesse bairro mora é grande o fervor humano do jugo que foi outrora
nesse recanto heróico do grito da independência do cisplatina histórico Luiz Bóvo e sua sapiência
abrindo alas prá Anchieta e para o lazer lá na praia quanta gente se deleita e faz que a tristeza saia
o tempo soergue lembranças retratos que ninguém apaga entre o choro de criança na cruz azul iniciei a jornada
foi duro o suspiro primeiro muito difícil de acontecer me deram um beijo faceiro assim me animei a viver
o Cambuci foi a guarida do despertar quase mudo dos meus vagidos de vida do meu começo de tudo
o bairro tem um hospital do exército brasileiro alegando motivo banal dei uma de aventureiro
quis me bandear do quartel sair da dura rotina militar aleguei que fez mal um pastel precisava urgente me internar
perceberam a minha ousadia fato comum de todo recruta bote Nogueira na enfermaria vamos logo acabar essa truta
com neuróticos de guerra passei todo dia amofinado quem dá uma de esperto erra dei no pé, eu fugi apavorado
São Jorge é o meu timoneiro meu nome nele foi inspirado meu santo lindo e guerreiro o meu protetor dedicado
todo vinte e três de abril com mamãe eu ia a igreja o padre caminhando gentil com sua sacola e bandeja
mamãe professora primária cedo corria pra ganhar o pão a prima helena me criaria até melhorar a situação
pro interior nos baldeamos Boituva,Itu e em laranjal com vó esperança por anos porto feliz foi o meu local
eu fui nadar com Toito no Tietê perto da gruta dei um mergulho bonito queria ganhar a disputa
pensei que no raso eu caia mais fui parar lá no fundo nadar muito pouco sabia quase mudei pra outro mundo
lembro do Romeu e do moinho das brincadeiras na palhinha aonde do alto pulava sozinho na palha do arroz que lá tinha
pelas roças entregava o pão lá pelas tantas da madrugada o primo Rubens no caminhão só alegria em nossa chegada
Tio Felício na sala roncava cansado de tanto trabalhar mas o Olívio baralho jogava com seu terno branco a brilhar
as primeiras letras aprendi minha professora Iris chamava era brava que nem sucuri com ela ninguém bagunçava
vovó me acordava bem cedo corria pra escola da praça eu conto assim meu enredo saudade feliz que me enlaça
de onde partiram as bandeiras juntinho do famoso rio Tietê, brincava nas tardes fagueiras tinha coisas bonitas pra vê.
lá por Boituva eu andava caminhando de pés no chão poeira que só levantava vermelha que nem tição
estou guindando da memória emoções que dela eu senti Boituva descortina sua glória pára-quedistas e o seu abacaxi
sempre ia para a fazenda ver fabricar a cachaça caindo através da moenda na cana que se amassa
na terra e berço republicano Itú fez as suas convenções fiquei lá por mais de um ano como escoteiro em expedições
da casa Tobias tenho lembranças que o carro de som anunciava casa Tobias, paraíso das crianças e o inferno dos pais decretava
no seminário do Carmo eu fui também escoteiro foi lá que jurei o termo sempre alerta companheiro
Itú tem mania de grande cidade também da canção e lá que tudo se expande é o berço da convenção
estudei em seu SENAI o curso de entalhação fiquei nesse vai e vai não era minha vocação
papai e mamãe resolveram mudar então para laranjal a todos nos convenceram que a nova casa era genial
era uma chácara na cidade cheia de frutas bem saborosas goiabas, jaboticabas de qualidade mangas, laranjas muito viçosas
lembro do tachão de goiabada muito gostosa, do tipo cascão as colerinhas em sua revoada e os canarinhos na louvação
Jaboticaba, um cruzeiro o litro lá ia eu com o irmão Fernando com carinho de mão e no grito vendendo, ganhando e sonhando
Fernando na boca do tigre eu passeava no úrtimo gole pensando assim se regride saudades que o tempo consome
desde a nascente do Tietê muitas cidades ele percorre histórias que vou descrever daquelas que nunca morre
na minha infância nadei em São Paulo no rio Tietê em límpidas águas entrei como era lindo a gente vê
foi um raro privilégio que hoje não existe mais seria agora um sacrilégio e nunca perdoado jamais
como tantos em maioria decidimos a São Paulo voltar é nesse torrão que eu queria ver o meu sonho se realizar
era o quarto centenário São Paulo só luz pipocava e foi neste lindo cenário que o Mario Zan tocava
vai fundo o meu pensamento lembrando a chuva de prata garimpo no meu sentimento saudades que foi essa data
São Paulo era só paz e sossego bondes rasgando prá todo lado todos saíam sem qualquer medo como foi bom viver esse passado
dava-me ao luxo de chá tomar na vienense ao som de violinos com o amigo Candango caminhar ao leo, pelo centro sem destinos
como eu poderia imaginar na minha doce simplicidade que um dia iria me consagrar o mais votado dessa cidade
São Paulo balança o país nesse esplendor de sucesso não sei quem adubou a raiz do seu gigantesco progresso
berço de todas nações num agitar permanente meca de todas as ilusões desafio de tanta gente
Ipiranga, Vila Mariana morei no Cambuci, foi lá que nasci Santa Cecília Perdizes fiquei no Pacaembu estou com Nodeci
vivi momentos difíceis instantes de incerteza deixaram até cicatrizes que lembro com tristeza
nunca fui muito chegado em uma cadeira escolar vivia em outra ligado prontinho pra disparar
mesmo assim fui destaque ao ter feliz privilégio presidente da Olavo Bilac o grêmio do meu colégio
ano de cinqüenta e sete minha pátria eu fui servir não tem o que me aquiete que mexa com meu porvir
estudei para ter minha vez de soldado a cabo cheguei convidado que fui pra Suez o meu Brasil não deixei
ainda sentando praça quartel da Segunda DI lembro com muita graça da marmita que esqueci
prendam o soldado nogueira recolham ele ao xadrez tem que pagar a besteira conscientizar do que fez
fui titular da pelota batia mesmo um bolão corria sem medo de bota treinei até no coringão
em todo final de semana em clubes de várzea emplacava no bairro de Vila Mariana no Náutico que eu mais jogava
fui um bom ponta direita meus chutes eram bem fortes corria, saltava, saúde perfeita praticava quase todos esportes
fui treinar no palmeiras estava nas minhas metas naquele tempo as peneiras revelavam os bons atletas
no parque São Jorge joguei a camisa do Corinthians vesti até um golaço marquei foi muita emoção que senti
lá no timão do vergueiro por muito tempo fiquei driblava qualquer zagueiro quantas redes já balancei
em cima do santa helena de boy comecei trabalhar na praça da sé era a cena é tão bom a gente lembrar
no hotel governador junto da mesma praça acabei como morador e me hospedava de graça
no restaurante papai ia é lá que feliz almoçava tudo isso me descontraía tudo isso me realizava
em muitas empresas batalhei Starlon, Ipiranga e Colgate não era a minha praia eu sei foi como se fosse um biscate
pinga da boa também vendi engarrafada no alambique eu nunca que me arrependi se fui brega ou fui chique
numa fatídica manhã o sol nasceu ofuscado minha mãe estava mal sã deus tinha lhe chamado
foi um golpe doloroso difícil de se conformar um momento pavoroso não gosto nem de lembrar
aquele jeitinho puro que meu olhar venerava deixou-nos em um sussurro quanta dor nos sufocava
foi um patrimônio lindo que nos legou nesta vida partiu até nos sorrindo por sua missão cumprida
é linda a razão, as verdades vou falar do meu querido pai suas mais nobres qualidades conselhos que nunca se esvai
frente a mim na sala sentado tratava-me com todo respeito sempre admirado e muito amado arriscava, botar-lhe defeito?
seus dedos eram um pincel a caneta era o seu destino descritos, gravados em papel letras suaves, sons de violino
depois dessas desavenças fui morar na praça da sé firmei muito minhas crenças pois nunca eu perdi minha fé
com Candango do Ypê querido no prédio Martinelli residi sempre foi meu grande amigo melhor ou igual eu nunca vi
nesse mundão vertical um pouco de tudo eu vi relatos da vida real histórias e lendas ouvi
foi o edifício mais famoso orgulho de nossa cidade onde eu dormia gostoso com sonhos da mocidade
tudo mais perto ficava no Arouche o escritório na rádio que logo chegava sem preocupar com horário
na decantada av. São João São Paulo selou histórias e Caetano em terna canção perpetuou saudosas memórias
um fato a saudade emana arquivado na boa lembrança foi a reunião no bar Brahma depois de alegre festança
a festa do chapéu de couro com amigos fui comemorar foi realmente um estouro valeu a pena a gente lembrar
meus passos cruzaram esquinas na sanha de viver novas pistas no vai e vem das minhas sinas no trabalho, lazer e conquistas
essa legião de almas que aquece que enche a metrópole com calor no seu cotidiano que amanhece envolvida em seu ninho de amor
eu sempre amei o centrão numa época cheia de paz mudei prá avenida São João e vi aumentar o meu cartaz
foi meu ninho abrasador que aconchegou Nodeci o nosso cantinho de amor de grandes paixões que senti
tive conquistas sentidas todos assim se comportam mas a que une nossas vidas são as que mais confortam
no jardim da existência ela é a mais linda flor razão da minha vivência a soma da paz e do amor
ela não é tão exclusiva todas querem lasquinha mais a parte mais decisiva não abdico ela é só minha
todos curtem a sua mulher é um sentimento gostoso eu digo, venha de onde vier da minha eu sou orgulhoso
no largo Arouche a conheci linda, bronzeada e faceira lá vem a baianinha Nodeci junto de mim prá vida inteira
com raça e muita coragem na TV cultura fui trabalhar propagando minha imagem para um dia me consagrar
Zé Cupido e Tony Martins formavam meu regional o triângulo tilin tilins e a sanfona zoando legal
balé marcianas coreografava as danças típicas do sertão por isso que o povo gostava nunca desligava a televisão
era o meu chapéu de couro vertendo no meu coração meu lindo querido tesouro minha ternura em louvação
nas telas fui desbravando com meus programas quentes Gazeta e Record fui brilhando TV Excelsior e a Bandeirantes
o nordeste foi para televisão com forró, e a ginga do xaxado acabou o preconceito meu irmão meu ideal eu já tinha alcançado
bons frutos rende a experiência somei pontos e fui contratado minha fama, moral e decência atributos por mim conquistado
diretor da CBS fui empossado para equipe de artistas criar dei conta de mais esse recado muitos contratei para gravar
neste meu roteiro artístico até Nelson Gonçalves gravei Portinho de batuta em risco eu dirigindo a voz de um rei
noites inteiras a produzir com os músicos do municipal sentia na pele o sangue fluir e tudo elevando o meu astral
vale registrar a discografia, Lps,compactos, muitas gravações tantas musicas que eu fazia um punhado de letras e canções
meu sonho sempre foi ser cantor acreditava na minha inspiração a gravadora colocou-se a meu dispor daí surgiu a primeira gravação
Canta Galo, Beverly, Inspiração RCA-Victor, Copacabana e a RGE histórias, fatos que fiz canção melodias ditosas de sol a ré
são oito long-plays gravados repletos de ritmos eloqüentes que foram bem divulgados em estados bem diferentes
dentre as várias composições destaco Rincões de nossa terra tem mais de dez regravações são lindos os versos que encerra
uma coletânea de crônicas gravadas com muito amor de grande paixões vividas narradas com meu fervor
ganhei muito com publicidade quantas campanhas assinava criava mensagens de qualidade que o consumidor comprava
criativo no que formalizei do caricato a teses difusas com vozes famosas realizei jingles sem nenhuma recusa
histórias bonitas criei no consagrado estúdio sol com Salomão Esper gravei propagandas e textos em rol
colaborei em muitos jornais no pasquin de nome Governador Notícias Populares e outros mais minha caneta escreveu com amor
na Folha do Povo e na Melodias no São Paulo da cúria escrevia cultura e arte dos nossos dias falavam alto e tudo eu sabia
teve época que tudo vendia de publicidade e até remédio importava é o quanto rendia e acabar com o bolso tédio
virei São Paulo dos pés a cabeça cantando nos circos e forrós não existe bairro que esqueça quantos já ouviram minha voz
eu tinha que perseguir de vez a minha vocação não adiantava insistir andando na contra-mão
sempre fui muito versátil homem de sete instrumentos nunca que seria um inútil valorizava meus momentos
Gil Gomes sempre elogiava em todos os seus programas, personagens que eu imitava entremeado aos seus dramaS
nas veias o sangue dizia você é um artista nato sentia que logo eu seria ser consagrado de fato
foi na avenida São João que pequena sala aluguei meu ponto de inspiração local onde eu comecei
com sertanejos artistas abriu-se a primeira porteira sinalizaram as conquistas pro Jorge Paulo Nogueira
com o microfone aberto na rádio progresso falei com Boris Casoy de perto Gilberto Pereira encontrei
foi meu amigo J. Garcia que em Santo André me levou na Rádio ABC quem diria Chapéu de Palha começou
por toda São Paulo andei em grandes peregrinações nas lojas eu pesquisei os sucessos dos campeões
o troféu chapéu de palha ganhava-o de boa campanha não podia ter qualquer falha em cada final de semana
relaciono alguns sertanejos que fizeram jus a essa Laura realizaram os seus desejos com essa tão cobiçada laura
Tião Carreiro e Pardinho Moreno e o irmão Moreninho Tonico, Tinoco arrasaram Zico, Zeca, Nascim festejaram
Fortuna, Pitangueira, Zé do fole Teixeirinha, Zé Betio e José Rosa foi bom reunir toda essa prole colegas queridos, gente famosa
Teddy Vieira foi meu amigão Raul Torres e o capitão Furtado Lorival dos Santos mais que irmão E Humberto Teixeira consagrado
da rádio abc fui gerente dinamizei aquela estação ouvida por tanta gente muito boa a programação
foi nessa oportunidade que o Gonzagão encontrei assim nasceu a amizade que tive com o meu Rei
sentia que despertava sucesso por todo lado que força me alimentava eu era um predestinado
Geraldo Meirelles ladino sentiu seu faro aguçar chamou-me novo inquilino na nove de julho estrear
oportunidade de ouro que logo cedo aflorou nasceu o chapéu de couro que tanto me consagrou
não levou tempo e fiquei conhecido e muito popular a vida toda eu me dediquei a quem soube me prestigiar
os valores nordestinos migraram prá um novo abrigo fugindo dos desatinos buscando seu berço amigo
com o mais sincero amor fiz da saudade a bandeira sou o eterno admirador dessa gente hospitaleira
São Paulo virou nordeste com a minha voz vibrante dei luz aos cabra da peste com meu ardor bandeirante
cheguei ao seio do povo querido que nem mecenas ainda estava bem novo já balançava as antenas
vou falar do chapéu de couro um troféu que me projetou que fez minha vida um tesouro que tudo em mim transformou
eu não me esqueço jamais dos aplausos em profusão história que ficou nos anais marcadas de muita emoção
usando extrema ousadia parti para o grande celeiro certeza de que eu traria os bambas do rio de janeiro
Trio Nordestino e Gonzagão Abdias, Ludogero e Marinês Zé Gonzaga com seu sanfonão vige, eu quase endoidei de vez
Ary Lobo com o Borrachinha Zé Praxedes com sua algibeira foi tanta gente que tinha sentadas, em pé e na beira
ronca o fole, Pedro sertanejo mostre porque você aqui veio nessa festa saciei meu desejo quantos artistas e eu no meio
o meu pioneiro programa em muitas rádios cresceu na nove de julho deu fama em muitas outras,aconteceu
na rádio nove de julho foi o meu embalo inicial onde com muito orgulho plantei meu marco triunfal
começamos na Venceslau Braz em frente a caixa econômica a praça da sé ficava por traz é uma baita saudade crônica
depois foi pra vila mariana na rua doutor Pinto Ferraz assim de semana em semana eu vi crescer meu cartaz
falava com muito sentimento botava o coração pra desabafar programas de entretenimento gostosos de se recordar
nossa música sertaneja tem força que nem raiz é a que mais o povo deseja sacode o nosso grande país
quando jovem eu empolgava era um lidimo defensor da cultura e costumes falava do povo do nosso interior
compus obras em profusão dizendo das coisas nossas descrevi as belezas do sertão e a simplicidade das roças
na rádio Record trabalhei com duplas de expressão muitos artistas apresentei meu ibope era um campeão
somente num dia chegaram mais de oitocentas cartas ouvintes que alimentavam audiência das mais fartas
criei vários personagens ilustrando os meus programas falavam tantas bobagens mais eram muito bacanas
chapeuzinho foi quem abafou pescador, mineiro e madame forró retratos alegres que ilustrou mesmo fazendo o programa só
no hora do angelus rezava a crônica da Ave Maria em casa mamãe escutava um copo de água eu benzia
lembro dos bons companheiros Plácido e Clovis Pontes amigo foram leais, fiéis, verdadeiros daqueles que não negam abrigo
Dr. Plácido foi humano e notável livrou-nos de difíceis caminhos e com seu forte jeito amigável foi um multiplicador de carinhos
na Rádio Record continuei defendendo o povo sertanejo por isso é que me projetei aproveitando a esse ensejo
o Zé Betio fui eu quem levei na rádio Record trabalhar com estudos argumentei tinha tudo prá se destacar
o sucesso do Zé foi tanto que até perdi meu programa a grana quebrou o encanto fiquei só comendo grama
as igrejas compravam espaços em quase todas as rádios foi um verdadeiro regaço inflacionaram os horários
hoje tem poucos radialistas só tem os pastores rezando botaram pra fora os artistas em templos vai transformando
tenho saudades de outrora quando o rádio era altaneiro não é como ele ficou agora que saudades do hélio ribeiro
por ele eu fui aprovado prá estrear na rádio capital foi esse o melhor atestado que sempre elevou meu astral
levei esse gênio ao planalto junto com o senhor João Saad e ele falante, muito esbelto mostrou de vez sua capacidade
não sou contra as religiões não aprovo os seus excessos não se ouve mais as canções e nem as paradas de sucessos
tínhamos programas atraentes novelas, humorismo e cultura agora a gente só ouve os crentes e as músicas? foram pra sepultura
se valessem os conselhos que pregam a safadeza não podia mais existir violência, assaltantes que nos pegam tudo isso mexe em nosso porvir
Record, Globo e Boa nova Nacional, Cometa e Tupy em todas eu dei uma sova sempre junto com Nodeci
era ainda uma criança em Laranjal Paulista aonde tinha festança e a eleição tava a vista
momento que me empolgava candidatos palanqueando Emilio Carlos discursava e eu, num caixote imitando
comigo mesmo eu dizia ainda algum dia vou ter a mesma lábia e picardia e deputado vou me eleger
gravei bem na minha mente essa grande determinação fui cultivando a semente adubando a minha vocação
após longos anos passados defrontei minha trajetória os meus dividendos pesados davam pra mudar a história
na televisão bandeirantes Luiz Gonzaga assim cantou setembro passou outubro e novembro no dia quinze vai ter eleição
o meu candidato aqui em São Paulo é Jorge Paulo do meu coração com aplausos mais vibrantes a deputado gonzagão me lançou
nenhuma experiência de fato sem dinheiro, só boa vontade sai para luta que nem um gato valendo-me do fulgor da idade
perdi na primeira empreitada aprendi mais um passo a frente que venha uma outra jornada agora tudo será bem diferente
meu escritório do Arouche em uma acanhada salinha muitos amigos eu trouxe na nova campanha minha
mil novecentos e setenta e dois vou partir para ser vereador Nodeci falou: é agora, não depois a glória espera o bom lutador
dessa vitoria sentia o cheiro as urnas estufaram de votos ganhei de lavada em primeiro felicidade prós meus devotos
nada eu deixei que fazia fiz meu mandato um escudo trabalhei com toda energia mostrei que eu era peitudo
novecentos e setenta e quatro chegou a vez de ser federal fiz do meu povo o meu arbitro nova vitória tão monumental
fui a Brasília com meu arsenal preparado para na tribuna falar corresponder com o povo afinal orgulhoso de lhes representar
falei com garra e coragem tanta injustiça denunciei a corrupção e a malandragem discursos, projetos criei
de todas as parte do Brasil muitas cartas que chegavam eles gostavam do meu perfil e meus trabalhos aprovavam
Ulisses o grande guerreiro estrela mor dos parlamentos o mar roubou o timoneiro prá defender seus tormentos
subi na escala do congresso graças a dedicação consciente Tancredo Neves viu o sucesso da comunicação me fez presidente
parlamentares e grandes amigos deputados de notável expressão Freitas Nobre dos mais antigos Lomanto Junior feliz baianão
Chico Pinto, Alencar Furtado os autênticos do manda brasa a revolução tinha lhes cassado cortaram-lhes a voz e a asa
fiz da existência um enredo relembrando a histórias de fato amigão do general Figueiredo não aceito fofoca ou boato
o nosso saudoso presidente de pulso firme e coragem foi sempre muito decente combatendo a gula e a voragem
era vereador de nossa cidade de São Paulo ele foi cidadão com meus pares na edilidade homenageei o presidente João
fui em vista ao palácio como lidimo representante o meu porvir falou alto lá que me fiz bandeirante
quando terminou a audiência a reportagem em cima avançou diga por favor excelência que assuntos da pauta tratou
o presidente me autorizou que transmitisse a nação que as diretas ele aprovou foi essa sua determinação
nas minhas três legislaturas eu fiz um arsenal de projetos sempre pensando nas criaturas nos sofredores, nos sem tetos
para as domésticas em geral o décimo terceiro salário sugeri o cinto de segurança meu aval proposições múltiplas construí
lutei pela cultura alienada que macula o patriotismo por nossa língua abandonada enalteci o nosso civismo
a enxurrada de musica estrangeira denunciei com vigor na tribuna era eles enfiando qualquer besteira não titubeei, criei projetos que puna
aliando-me a Henrique Cardoso quisemos tentar dividir a Bahia foi um projeto bem caudaloso o estado de Santa Cruz nasceria
http://recantodasletras.uol.com.br/escrivaninha/publicacoes/editor.php?acao=ler&idt=1362328&rasc=0
RELAÇÃO DOS PROJETOS DE LEI QUE APRESENTEI.
o sul quem riqueza gerava ficando sem contra-partida o cacau que pagava a despesa há mais de cem anos de vida
falaram tanto dos militares dos tempos da revolução os meus colegas parlamentares deram exemplos de probação
no tempo que fui deputado não tinha o tal mensalão o congresso era comportado com muito respeito a nação
tinham apenas dois partidos do governo e da oposição com projetos bem definidos que eu consegui a reeleição
o meu primeiro pronunciamento foi para exaltar o nordestino foi o meu total reconhecimento de quem traçou meu destino
lá na câmara em seus anais ficaram meus louros e glórias projetos, discursos imortais que a vida colocou na história
deixo a minha alma limpa nesta derradeira caminhada para que você pense e sinta que nobre foi essa jornada
sinto no passar dos anos que ainda tive horas perdidas é quando a pensar desenganos idéias inúteis são consumidas
na raia de nossa política louvo-me de quem vou falar acima de qualquer crítica seu nome eu vou proclamar
querida Nodeci Nogueira todas horas o braço forte ela foi sempre a primeira no voto que me deu suporte
sucesso é para quem tem glória tem fibra e muita expressão pois os seus votos na história e na urna do meu coração
vereadora e deputada estadual dignificou o nosso parlamento trabalhou com afinco e afinal tem o nosso reconhecimento
nosso local de atendimento na rua do Arouche começou aos poucos arregimentando uma grande legião se formou
foi um entrelaço danado um boca a boca bem forte já estava muito falado desde o sul até o norte
os anos setenta marcaram a trajetória tão brilhante dos corações que se uniram num sentimento empolgante
multiplicando-se em abraços tanta gente do nosso povão vi aumentar os nossos laços numa rotina de peregrinação
Paissandu foi o novo endereço no Arouche era gente demais atendíamos com muito apreço porque nos todos somos iguais
cantei por São Paulo inteira em circos e forrós da cidade nordeste é minha bandeira a quem sempre jurei lealdade
em São Paulo o primeiro forró foi no Zé Pedro da vila Sônia ninguém saia de lá sem xodó sem Laura, Joana ou Antônia
chapéu de couro na televisão uma jornada de recordações traz o nordeste e seu baião e a pureza dos nossos sertões
falei com força e vigor da integração entre nós sem preconceito nem cor o coração foi a minha voz
fiz uma sincera parceria que me deu tanta glória missão que mais queria e me projetei na história
fiz do amor minha pauta com notas em devoção tinindo qual uma flauta tocando no meu coração
minhas crônicas lançadas na famosa editora prelúdio lidas e também comentadas gravadas até num Studio
a Globo e Record deram vidas as entranhas da minha alma narrei paixões mais sentidas que seduzem e nos dão calma
nos píncaros de nossa fama as oportunidades são mil chamaram-me para uma trama viajando por todo o Brasil
foi o longa chapéu de couro filmado no sertão de Serrita com muita derruba de touro e aplauso de moça bonita
memorável imagem e roteiros rodado em plena caatinga vaqueiros e mais tropeiros e Gonzagão com a sua ginga
com consagrados atores brilhei em todas as cenas ao lado de Jofre Soares e outras lindas morenas
numa saída bem prematura mudei minha vida de vez final daquela legislatura em março de oitenta e três
por oito anos ecoou minha voz em Brasília cheia de emoção o voto vinculado e fato atroz nos derrotaram nessa eleição
foi um final surpreendente das voltas que o mundo dá não ficamos nem pra suplente o jeito foi a gente se manda
de braços abertos tivemos com nossas mãos estendidas trabalho leal que fizemos pra tantas almas sofridas
ninguém vem nos abraçar nem estender as suas mãos é penoso para nós reclamar ingratos e cruéis cidadãos
quebrou-se o encanto dos anos quebram-se os elos da corrente calaram-se os desenganos a saudosa saudade de gente
mesmo em São Paulo morando o coração respira nordeste pra Ilhéus fomos chegando sempre é bom fazer novo teste
aportamos na nação grapiúna recebidos na maior gentileza nós temos um tesouro em Una somos sócios da mãe natureza
é melhor ir sempre em frente do que ficar olhando prá trás com chuva ou tempo quente a gente sabe mostrar o que faz
se dividir minha idade em três partes iguais a Bahia na realidade hoje é quem leva mais
dos meus sessenta anos vinte e nove quem diria mesmo furando os meus planos tenho vivido na linda Bahia
aportamos em Olivença nas milagrosas águas de vick lugar de paz e bonança aonde mora muito cacique
tem festas tradicionais como a puxada do pau criada por seus ancestrais pra repelir todo o mal
os banhos na Tororomba são por demais afamados o seu balneário é uma pompa e um dos mais procurados
curtida pelos surfistas a praia do Back Door Jojô e Rudá, top de listas conhecem o mar de cor
eu curto Olivença, ela me amarra de praias lindas como a batuba florestas nobres de piaçava e bem pertinho, Comandatuba.
a cara e a coragem na roça sentindo o sabor chocolate não há pessimismo que faça ruir a força do nosso embate
história parece de carochinha mas é triste saber da verdade a velha bruxa com vassourinha pois praga no cacau com maldade
a região cacaueira a empobrecer o desemprego assola as famílias o fazendeiro viu sua roça fenecer desolado a esperar melhores dias a esperança em nós resistia foram quinze anos de lutas e a vassoura que não sumia a devastar nossas frutas
terrível esse jogo de risco quem foge a luta não vence a natureza fez seu confisco um troco vai dar que compense
foi nessa Bahia decantada que traçamos um rumo novo feliz ficou nossa filharada ao se integrar com esse povo
o balançar do coqueiro fascinava-me a chamar chegue aqui companheiro muito tenho pra ofertar
com ele um exército formei legião de fortes soldados no campo de batalha semeei no coração estão plantados
lá esta meu lindo coqueiral viçoso verdinho de esperança meu prazer de olhar matinal a brincar qual uma criança
me bando a suspirar entre eles enchendo os pulmões de alegria amarelos, vermelhos,tem verdes o meu pão nosso de cada dia
dizem, quem mora numa ilha tem sua vida sempre eterna por isso escolhi essa trilha tenho muitos anos de perna
descortino a janela cedinho na sinfonia de uma serenata meu amigo que é o passarinho trina canção que me arrebata
é uma poluição tão gostosa de sons, bicos e asas a bater e a passarada toda em prosa reunidos para o que vão fazer
lá na ilha de Comandatuba é uma delicia a gente viver é coco que o vento derruba coqueiros que nos dão prazer
um lar nunca se completa e vive um amargo fastio os filhos são a grande meta que acabam de vez com o vazio
os nossos chegaram saudáveis unindo-se entre nós em abraços são quatro e são muito amáveis vieram frutificar nossos laços
Glaucia é o nosso curumim o Jorge Paulo é um gato a Selma é o nosso jardim Maíra, inteligente de fato
Já estão todos formados com luta, suor, sacrifícios todas eles são admirados por colegas e seus amigos
imito agora o Roberto e seus milhões de amigos tantos nem sei ao certo dos novos aos mais antigos
Alex,Josino e Misael Aluisio, Assad e Jadão Laerte, Luiz, Manoel Guilherme, Sala e João
quando cheguei em Brasília a procura do meu espaço Heitor Humberto e família formamos um grande traço
o Jadão me levou pros states nas terras do tio Sam Nova York com seus enfeites lembrei-me do Peter Pan
cada qual tem o seu jeito mas o dele é muito especial é o Alfredo amigo do peito o meu confidente leal
candango meu braço forte no despertar das auroras alma bondosa do norte amigo de todas as horas
para falar a verdade existe até um pelotão todos de várias idades e moram no meu coração
uma amizade distante presente agora se faz Misael juntinho da gente só alegria nos traz
pouco eu cobro de alguém todos tem o seu valor quem vive só para o bem não guarda nenhum rancor
meu nome sempre lembrado por tudo que fiz merecer nas urnas fui consagrado no cinema, no rádio e TV
alma nobre meu irmão José Luiz pouco pude seguir seus conselhos quero me emancipar sou aprendiz assim é que me vejo nos espelhos
boas ações enveredou no seu caminho o sentimento de amor que fala alto esta cercado embevecido de carinho colheu doces frutos no seu palco
o tempo não lhe derruba na Antoninha tudo florescem não conto sequer uma ruga os anos não lhe envelhecem
uma soma diária de afetos retrato de paixões vividas dos filhos, Basílio e netos diárias emoções bem sentidas
com seu sem pulão de canhota brilhava e reinava no campo o bicho corria, comia a pelota foi um craque do seu tempo
episódios do mano Fernando agora que narrando eu estou qualidades que tem de bando histórias que ninguém contou
é um homem de moral elevada extremoso pai grande amigo orgulhamos de sua jornada de Célia e Fernanda? Nem digo
não podia faltar nesse sumário um coração imenso de ternuras santinha viveu o seu calvário esta com Jesus lá nas alturas
dedos mágicos na máquina a rolar seu pensamento criando inovações a grande artista solerte para criar maravilhosas foram suas confecções
muito lutou prá educar sua família foram quatro enes na nomenclatura Nodeci, Nara,Nieda e Noélio alegria todos criados e cercados de ternura
me gabo de homem sensato reconhece o bem que é feito por isso eu louvo o Liberato sempre soube o que é direito
na Bahia nossa casa edificou junto da praia aconchegante dinâmico ele sempre demonstrou seu grande valor cativante
sua obra uniu nossa família em temporadas inesquecíveis ainda reina muito a alegria momentos dos mais agradáveis
construímos castelos e sonhos nas estações de nossa existência e em cada parada compomos a pauta de nossa experiência
e nessa trajetória do tempo centramos a quem nos são caros vai fundo o nosso pensamento buscando os exemplos raros
daquele que aos filhos damos bem do fundo do coração é assim que nos preocupamos com o destino que levarão
queremos os filhos felizes que acertem na parceria que evitem todos deslizes que vivam em harmonia
Glaucia uniu-se a Daniel nosso convívio enriqueceu mas duas abelhinhas no mel na linda colméia do céu
integramos a família zanchita na mais fraterna união que e o amor e a paz infinita selem nossa confraternização
de tantos amigos quero falar vou enumerar nessas prosas quero todos homenagear no doce sabor dessas trovas
um dos principais seguidores que a amazoniaprá nos mandou Raimundo Nonato faço louvores amizade que nunca gorou
Soldado de tantas campanhas nos momentos mais delicados derrubava todas as sanhas de todos os maus intencionados
não há mais terna ternura que afagar um cachorrinho espanta qualquer amargura quando abana o seu rabinho
é de infinita pureza o amor desses bichinhos uma expressão de grandeza comovem os seus carinhos
melhor que o ser humano que vivem tão desiguais por isso que eu me ufano Dolly,kika e Maggie, são demais
elas nos trazem a paz fazem bem ao coração alegres com tanto gás fiéis que nem um irmão
tenha você também o seu companheirinho vai lhe fazer muito bem o cheiro do seu focinho
eles espantam as mágoas matam qualquer tristeza quanto que nos encantam com sua altivez e beleza
vamos cuidar com amor desses meigos bichinhos que trazem tanto calor no som de seus latidinhos.
(Falta acresentar acontecimentos de muitos anos)
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jorge paulo |
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Publicado em 25/12/2008 às 00h23
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